Ontem na Casa Fernando Pessoa foi assim: o Carlos Vaz Marques moderou, com a sua elegante e melodiosa voz de rádio; eu falei nervosamente sobre "As Três Vidas", reparando tarde demais que levara o mau par de sapatos, esburacados à frente, mesmo de chapa para o público; foi breve, e toda a gente ajudou; o Carlos Reis é um magnífico orador e cheio de graça, tendo contado umas histórias sui generis sobre o Saramago e o ano de atribuição do Nobel; o Miguel Real, na sua infinita disponibilidade, tinha tudo sistematizado por ano, nome e categoria de cada escritor que se viu influenciado pelo Saramago desde os anos 80; e Zeferino, editor da Caminho, falou brevemente sobre o que é esta coisa estranha de poder ler os livros do Saramago antes de toda a gente (bastard!...), mesmo antes das revisões finais. Disse que o homem é o sonho de qualquer editor: chega tudo muito certinho, precisa apenas de meia dúzia de correçõezitas finais antes de ir para a gráfica...a Ana Pereirinha, que estava sentada na primeira fila, até se deve ter rido, uma vez que os romances aqui do vosso amigo precisam de 6 milhões de alterações e oito ou nove birras antes de chegarem ao mercado. Depois ainda me deixaram falar um bocadinho de "O Homem Duplicado", que é um dos meus Saramagos preferidos, e vai daí e foi a vez do público, a Ana P. falou que se fartou (e muito bem) sobre as editoras e os gloriosos anos 90, a Inês Pedrosa também contribuiu, depois um senhor com ar de Walt Whitman (mas sem obra) expôs a sua tese revanchista e alucinada sobre o Nobel, lá do fundo da plateia (acusou o homem, entre outras coisas, de sanear jornalistas do Diário de Notícias nos anos 70, ou assim?) e deu-se por terminada a sessão, arrumou-se tudo, eu ajudei o Zé Carlos a levar os caixotes de livros para o carro e vim para casa a assobiar de contente com os florais do dr Bach que a Ana me meteu na água.
sexta-feira, 26 de Setembro de 2008
Ontem na Casa
Ontem na Casa Fernando Pessoa foi assim: o Carlos Vaz Marques moderou, com a sua elegante e melodiosa voz de rádio; eu falei nervosamente sobre "As Três Vidas", reparando tarde demais que levara o mau par de sapatos, esburacados à frente, mesmo de chapa para o público; foi breve, e toda a gente ajudou; o Carlos Reis é um magnífico orador e cheio de graça, tendo contado umas histórias sui generis sobre o Saramago e o ano de atribuição do Nobel; o Miguel Real, na sua infinita disponibilidade, tinha tudo sistematizado por ano, nome e categoria de cada escritor que se viu influenciado pelo Saramago desde os anos 80; e Zeferino, editor da Caminho, falou brevemente sobre o que é esta coisa estranha de poder ler os livros do Saramago antes de toda a gente (bastard!...), mesmo antes das revisões finais. Disse que o homem é o sonho de qualquer editor: chega tudo muito certinho, precisa apenas de meia dúzia de correçõezitas finais antes de ir para a gráfica...a Ana Pereirinha, que estava sentada na primeira fila, até se deve ter rido, uma vez que os romances aqui do vosso amigo precisam de 6 milhões de alterações e oito ou nove birras antes de chegarem ao mercado. Depois ainda me deixaram falar um bocadinho de "O Homem Duplicado", que é um dos meus Saramagos preferidos, e vai daí e foi a vez do público, a Ana P. falou que se fartou (e muito bem) sobre as editoras e os gloriosos anos 90, a Inês Pedrosa também contribuiu, depois um senhor com ar de Walt Whitman (mas sem obra) expôs a sua tese revanchista e alucinada sobre o Nobel, lá do fundo da plateia (acusou o homem, entre outras coisas, de sanear jornalistas do Diário de Notícias nos anos 70, ou assim?) e deu-se por terminada a sessão, arrumou-se tudo, eu ajudei o Zé Carlos a levar os caixotes de livros para o carro e vim para casa a assobiar de contente com os florais do dr Bach que a Ana me meteu na água.
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3 comentários:
Escutei as tuas palavras e gostei. Nem reparei nos teus sapatos ;)
Boa sorte neste mundo cheio de senhores (e senhoras) com ar de "Walt Whitman (mas sem obra)".
Foram realmente duas horas muito bem passadas. Parabéns a todos.
não fui...
mas fiquei curioso com algumas coisas que escreveste. sentes-te muito influenciado pelo Saramago?
(digo-te isto, porque não sofri qualquer tipo de influências, literárias, do nosso nobel...)
(luis eme)
Luís:
era como dizia ontem, não me sinto influenciado directamente, isto é, acho que o Saramago tem um estilo e portanto um mundo e universo inimitáveis; mas adoro os livros dele, em particular O Ano da Morte...e O Homem Duplicado, e considero-o um génio da literatura.
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